Sexta-feira, Julho 25
BENÇA, VÓ!
Hoje é dia das avós e como ainda não inventaram o dia da bisavó, estou me incluindo nas homenagens, pois, afinal sou avó também, é claro, pois se assim não fosse, como poderia ser bisavó?
Transportando-me aos longínquos dias de minha infância, lembro-me de minhas avós, tão diferentes das avós de hoje.
Não eram blogueiras como eu nem sentavam no chão para brincar com os netos como a minha filha.
Viveram pouco mais de setenta anos, mas, aos meus olhos de criança, pareciam tão velhas!
Eram comportadíssimas, sempre falando baixinho, mimando os netos com cuidado para não perder o respeito.
Usavam saia muito comprida, batinhas de mangas longas e gola alta, sempre de meias e, em casa, de chinelos de lã, para sair, sapatos de pelica, tudo preto, é claro, pois eram viúvas e para elas o máximo permitido era um discreto estampado em branco e preto para usar em casa nos dias muito quentes.
A gente pedia-lhes a bênção e elas nos abençoavam em nome de Deus com toda a autoridade.
Será que ainda existem netos que pedem “bença” pras avós?
Os meus nem sabem o que é isso.
Meus filhos me chamam de “senhora” como o pai sempre exigiu, mas os netos e bisnetos, de você, como eu prefiro,
Será isso uma falta de respeito? Eu acho que não, mas, em todo caso eu quero que me amem, não faço questão de tanto “respeito” assim.
Ser avó pela primeira vez é algo inexplicável. Se por um lado nos sentimos mais velhas, por outro estamos mais realizadas.
Fica aqui um pequeno poema que escrevi para minha primeira neta, a Gláucia.
PARA GLÁUCIA
Ela chegou, da aurora, ao primeiro alvor
E a manhã se fez radiosa para recebê-la
Houve mais um pouco de luz em casa estrela
E um pouco mais de perfume em cada flor.
Invejou-lhe o lírio, da pureza, o alvor,
Até um anjo enciumou-se ao vê-la.
Foi tanta a doçura que irradiou-se dela
Que houve em todo mundo
Um pouco menos de amargor.
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Segunda-feira, Julho 7
SINAL DOS TEMPOS
O conceito de economia mudou muito desde que me conheço por gente.
Há algumas décadas atrás os Bancos costumavam dar cofrinhos às crianças para encherem de moedinhas e abrirem uma caderneta de poupança que eram incentivadas a aumentar cada vez mais com posteriores depósitos. Havia crianças que tinham coleção desses cofrinhos.
Hoje, que eu saiba, nenhum Banco distribui cofrinhos e duvido muito que, se uma criança chegar com um punhado de moedas consiga abrir a sua caderneta de poupança. Aliás, não conheço nenhuma criança interessada nisso. O que querem é comprar tudo o que vêem, tenham ou não dinheiro, aprendendo desde cedo a fazer dívidas para comprar supérfluos.
Uma criança não pode fazer dívidas por conta própria, mas pode induzir os pais a fazerem. Estes que, antigamente faziam a sua própria poupança para adquirir bens maiores, pois ninguém podia comprar nada se não tivesse dinheiro, hoje não acham grande coisa 20 reais mensais para fazer a vontade do filho mimado, por mais absurda que seja e não lembram que 20 hoje, 25 amanhã, 30 depois, acabam somando uma quantia significativa. Eles, que já estavam com o orçamento apertado, porque também comparam para si próprios mais do que podiam, acabam ficando enrolados, ameaçados de “sujar o nome”.
Mas, o banco Quãquáquá resolve seu problema. Empresta o dinheiro a juros exorbitantes, eles pagam suas dividas e ficam devendo muito mais ainda.
E agora? Como pagar o Banco?
A Financeira Rokrok é a solução... O Cartão de Crédito I... O Cartão de Crédito II... Etc... etc.
E cada vez gasta-se mais, deve-se mais, caloteia-se mais.
Quando me casei, minha cunhada mais velha me deu um conselho:
- Sempre guardem dez por cento do que ganharem. Se fizerem isso vocês terão sempre o dinheiro necessário nas emergências.
Foi um sábio conselho que tenho tentado em vão passar aos mais jovens.
Hoje a mentalidade é outra. Gasta-se tudo, ou o que é pior, mais do que se ganha.
E nas emergências?
Faz-se um empréstimo!
Sinal dos tempos!
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CUIDADO ESTÃO TE ESPIANDO
E veja o final do conto:
VERDADE OU MENTIRA?
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